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05/07/2008

Perigo nos primeiros anos

A bactéria que provoca pneumonia é também a principal responsável pela meningite entre crianças de até um ano

Uma das doenças mais graves que podem atingir crianças com menos de um ano, a meningite - infecção da membrana que cobre e protege o cérebro e a medula - não pode ser associada exclusivamente ao meningococo, a bactéria mais comum nesse tipo de infecção. Outro microorganismo, o pneumococo, tem freqüência parecida e é ainda mais perigoso quando se fala em seqüelas e causa de mortes.

Ele está presente no ar e pode até conviver com uma família sem provocar qualquer mal. Mas, ao constatarem febre e irritabilidade persistente em um bebê, por exemplo, os pais precisam ficar atentos. O pneumococo não provoca os mesmos sinais, como manchas na pele, que o meningococo. A vacina ainda não é fornecida pelo Ministério da Saúde, e quem quiser fazê-la só a encontrará na rede particular.

Esse alerta permeou o estudo PAE Brasil - Pneumococo: Avaliação Econômica, divulgado nesta semana em São Paulo. Fruto do trabalho de oito pesquisadores e consultores de universidades e entidades médicas, patrocinada pela indústria farmacêutica Wyeth, a pesquisa lançou luz sobre um agente causador de doenças que inquieta pediatras.

- Em termos de letalidade e seqüelas, o pneumococo é responsável por uma meningite pior do que a causada pelo meningococo. Ele é mais tóxico para o sistema nervoso central e pode ter um diagnóstico mais demorado, o que é perigoso - alerta Eitan Berezin, presidente do Comitê de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Segundo ele, a bactéria predomina nas meningites em crianças menores de um ano, quando os sintomas são mais difíceis de serem avaliados. Também causadora da pneumonia, ela está presente no ar e se aloja no nariz e na garganta de qualquer pessoa. Muitos podem ter colônias dessa bactéria no organismo sem desenvolver qualquer doença. Mas quando ela rompe a barreira da mucosa nasal e atinge a corrente sangüínea, a preocupação começa. Pode causar febre por algumas horas e chegar aos pulmões e à meninge.

Por ter contato pela primeira vez com o Streptococcus pneumoniae, os bebês ainda não têm anticorpos para combatê-lo. Na maioria das vezes, o resultado dessa presença no sangue é febre intermitente por algumas horas. Muitas vezes, os médicos nem chegam a identificar a causa da febre, que desaparece sem explicação.

Mas ficar apenas no sangue é o menor mal que pode ocorrer. A preferência do pneumococo é se multiplicar no pulmão e na meninge. Alojada no local, começa um processo de multiplicação agressivo. O organismo responde ao ataque e origina uma inflamação que incha e produz muito pus junto ao cérebro. Esses efeitos podem provocar lesões permanentes nos bebês, como dificuldade de aprendizagem e surdez.

A preocupação especificamente com a incidência do problema entre crianças pequenas e as suas conseqüências não é exagerada. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças pneumocócicas, entre elas a meningite e a pneumonia, são as primeiras razões de morte em crianças menores de cinco anos entre os males que poderiam ser prevenidos com vacinação. No Brasil, está em estudo a inclusão da vacina no calendário do Ministério da Saúde. Por enquanto, têm acesso gratuito a essa imunização somente crianças com necessidades especiais, como bebês prematuros, portadores de síndrome de Down, entre outras condições que fragilizam o sistema imunológico. Os demais somente por meio da rede privada.

*O repórter viajou a convite do laboratório farmacêutico Wyeth

( leandro.rodrigues@zerohora.com.br )

LEANDRO RODRIGUES | São Paulo

Créditos: Jornal Zero Hora



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