Educação ao Paciente
Diabetes tipo II
Sabe-se que o diabetes do tipo 2 possui um fator hereditário maior que no tipo 1. Além disso, há uma grande relação com a obesidade e o sedentarismo. Estima-se que 60% a 90% dos portadores da doença sejam obesos. A incidência é maior após os 40 anos.
Uma de suas peculiaridades é a contínua produção de insulina pelo pâncreas. O problema está na incapacidade de absorção das células musculares e adiposas. Por muitas razões suas células não conseguem metabolizar a glicose suficiente da corrente sangüínea. Esta é uma anomalia chamada de "resistência insulínica".
O diabetes tipo 2 é cerca de 8 a 10 vezes mais comum que o tipo 1 e pode responder ao tratamento com dieta e exercício físico. Outras vezes vai necessitar de medicamentos orais e, por fim, a combinação destes com a insulina.
Principais Sintomas:
- Infecções freqüentes;
- Alteração visual (visão embaçada);
- Dificuldade na cicatrização de feridas;
- Formigamento nos pés;
- Furunculose.
Atualmente, existem várias substâncias que auxiliam o tratamento do diabetes Tipo 2, diferenciadas pela maneira como agem no organismo. Como são muitas e algumas possuem a mesma finalidade, vamos caracterizá-las em três grupos de medicamentos: 1) os que auxiliam a secreção de insulina; 2) os que diminuem a resistência insulínica e 3) aqueles que diminuem a velocidade de digestão dos carboidratos.
Hoje, existem remédios que misturam duas dessas características num único comprimido. Contudo, não se preocupe com a escolha de algum deles, pois ficará a critério do seu médico. Vale lembrar que o uso desses compostos não será suficiente, caso não sejam combinados com uma boa alimentação e exercícios físicos.
Medicamentos que Estimulam a Secreção de Insulina
Existe um grupo de células localizadas no pâncreas, conhecidas como células beta, que são responsáveis pela produção de insulina no organismo. No diabetes Tipo 2, essa função fica debilitada ou, digamos, diminuída. É exatamente por isso que as pessoas com diabetes sentem cansaço, muita fome, sede etc.
Afinal, boa parte da energia dos alimentos não é absorvida. Com isso, precisa-se de medicamentos que estimulem a produção de insulina, ajudando a normalizar este quadro. As substâncias mais conhecidas neste tratamento, basicamente, se dividem em dois grupos: I) o das Sulfoniluréias (Clorpropamida, Glibencamida, Glicazida, Glimepirida, entre outros) que atuam entre 8h, 12h e até 24h no organismo; e o II) das Glinidas (Repaglinida e Nateglinida), que são mais recentes e agem durante no máximo 4h.
A principal diferença está justamente no tempo de ação. No primeiro grupo, caso o indivíduo esqueça de se alimentar durante o dia, as chances de ocorrer uma hipoglicemia (falta de glicose no sangue) aumentam. Isso ocorre porque o estímulo à produção de insulina continua, mesmo que não haja energia (dos alimentos) para ser levada às células.
O mesmo já não acontece com o grupo das Glinidas, pois são utilizadas sempre antes das refeições. Por exemplo: se o indivíduo não almoçar, não precisa ingerir o medicamento ou se por algum motivo perder uma refeição, não correrá riscos porque a ação desta substância é curta.
Medicamentos que Diminuem a Resistência para a Ação da Insulina
A resistência à insulina ocorre quando existe dificuldades para insulina se ligar aos receptores que existem nas células do organismo, como se fosse uma "chave" que não consegue se ligar à "fechadura". Para entender melhor, vamos pensar na seguinte situação: imagine que o organismo é uma casa que está trancada.
A única "chave" que pode abrí-la é a insulina. No entanto, algum problema está acontecendo, porque ninguém está conseguindo destrancar a fechadura para permitir a entrada da glicose que vem dos alimentos.
É nesta situação que os especialistas receitam os medicamentos que diminuem à resistência para a ação da insulina. Existem dois grupos de substâncias que auxiliam neste tratamento: o das I) Biguanidas (Metformina) e o das II) Glitazonas (Roziglitazona e Pioglitazona).
Ambos os grupos aumentam a sensibilidade da insulina nas células, principalmente no fígado, e, diminuem a resitência para a ação da insulina nos tecidos muscular, hepático e adiposo.
Medicamentos que Diminuem a Velocidade de Digestão dos Carboidratos
O objetivo desses medicamentos é diminuir a glicemia após as refeições, através da diminuição da velocidade da digestão dos carboidratos. Deve ser ingerido no momento exato da alimentação e está indicado nos casos de diagnóstico recente em que, apesar da dieta e do exercício, ocorre hiperglicemia, sobretudo pós-prandial (após a alimentação).
No Brasil, a única substância existente para este tipo de tratamento é a Acarbose. Um inibidor intestinal das enzimas chamadas "alfa glicosidases" que agem diminuindo a velocidade de digestão dos carboidratos (contidos nas massas, arroz, pães) e, com isso, a entrada de glicose na circulação.
Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes